As perguntas pipocavam na mente dela insistentemente. Tentou desviar a atenção, escolheu um livro, abriu-o e começou a ler. Antes mesmo de terminar a primeira linha, lá estavam elas a atromentando de novo. Tudo parecia perdido. Chorou, gritou por socorro. Ninguém a escutou. Resolveu, então, encará-las. Foi para o quarto, trancou a porte. Sentou-se na beirada da cama. Elas continuavam lá em sua mente. Pensou. Levantou e foi em direção a estante, pegou algumas folhas de sulfite e uma caneta. Voltou e sentou-se no mesmo lugar da cama. Respirou fundo e começou a escrever todas as perguntas que surgiam em sua mente. Uma a uma. Depois de uma hora, percebeu que já havia escrito umas cinco folhas frente e verso. Finalmente, elas acabaram. Estava trancada no quarto. Não havia ninguém em casa. Começou a ler uma a uma das perguntas escritas nas folhas de sulfite. Passaram-se quatro horas. Ao todo, havia umas cem perguntas. Conseguiu responder apenas uma. "Qual a estação de metrô mais próxima?" Algúem chegou em casa e arrombou a porta do quarto. Ela continuava sentada no mesmo lugar da cama. Disse apenas um oi seco. Pegou a bolsa, as folhas de sulfite e saiu. Estava decidida: iria para a estação de metrô. Enquanto caminhava, continuava pensando nas perguntas sem respostas. E em como havia chegado naquele estado. Estava transtornada, perdida, infeliz e só. Sentia os olhares estranhos das pessoas por as quais passava. Sim, eles conseguiam perceber que ela estava com problemas. Mas ninguém foi capaz de pará-la e oferecer ajuda. Chegou a estação de metrô. Comrpou o bilhete, passou a catraca. Descatralize a vida! Sorriu ao lembrar-se disso. Há dez dias não sorria. Desceu as escadas. Viu o metrô passar. Posicionou-se na beirada dos trilhos. Sentou, desceu... Parou bem no meio, olhou para trás, para frente e para os lados. Escutou o metrô vindo. Viu os olhares espantados das outras pessoas. Sentiu a vibração dos trilhos, ele estava se aproximando cada vez mais. Então, uma pergunta veio a sua mente: vc quer desistir? Respondeu: Não! Quero vencer e encontrar as respostas. Sim, atravessou o trilho e subiu pelo outro lado com a ajuda das pessoas que a olhavam assustadas. Mas antes, soltou todas as folhas de sulfite. Viu-as voarem com o vento do metrô chegando. Sorriu, sentou-se no chão. Havia muitas pessoas ao seu redor. Olhou atentamente o metrô indo embora. Percebeu que havia um senhor do outro lado, olhando-a fixamente. Ele deu um adeus para ela que fechou os olhos por um segundo. Ao abrir, ele não estava mais lá. Escutou um sussurro em seu ouvido: Mais cedo ou mais tarde você terá todas as respostas. Uma a uma elas chegarão. Olhou para o lado e viu o mesmo senhor sorrindo e estendendo a mão para ela. Levantou, percebeu que não havia mais ninguém a não ser ela e ele. Ele colocou a mão sobre a cabeça dela. Disse: Vá com Deus, minha filha! Siga em frente! Ela seguiu sem olhar pra trás, mas sabia que sempre que precisasse, Ele estaria lá. Ela não estava mais só!
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